América Latina pós-Trump e a reorganização das esquerdas e direitas
Cientista político analisa os desafios da esquerda na Segurança Pública e sua crise de comunicação diante do avanço da extrema direita
Por Fernanda Simas
Desde as últimas sinalizações do governo Donald Trump com relação a países da América Latina, cresce a discussão - e o temor - de interferências militares por parte dos Estados Unidos. Em um ano marcado por importantes eleições, é preciso entender a dinâmica partidária na região e como a discussão político-eleitoral tem mudado de esquerda X direita para democracia X autoritarismo.
“A crise atual se dá muito mais na esfera da comunicação. A direita com as redes sociais, os algoritmos, teve o aprendizado e uso mais eficiente para gerar convencimento, com seu discurso conservador, e as esquerdas ainda estão aprendendo a utilizar esses recursos com a intenção de angariar apoio”, destaca o cientista político da FESP-SP e ESPM Paulo Ramirez. Em entrevista, ele discorre sobre as atuais crises das diferentes esquerdas na América Latina e a ascensão de candidatos da extrema direita.
Como você vê a ascensão de candidatos com discurso extremista na América Latina no contexto do novo mandato de Trump?
Essa ascensão da extrema direita não só na América Latina, mas no mundo todo, é resultado de uma falência do neoliberalismo. À medida que não conseguiu resolver os problemas que criou em torno da flexibilização do trabalho, da precarização da vida, o discurso favorável à existência do capitalismo passa a ter como base de sustentação o discurso moral, conservador, com lemas de Deus, pátria, família, “faça a América Grande Novamente”, a ideia de que “Deus está acima de tudo e o Brasil acima de todos” e assim por diante. É uma forma de desviar o foco e atenção da população, culpabilizando os partidos de oposição, principalmente os de esquerda, como sendo a encarnação do mal.

A gente vê esse tipo de discurso no presidente da Bolívia, o (Rodrigo) Paz, o (José Antonio) Kast no Chile, que inclusive é neto de nazistas, o Milei na Argentina, agora na Colômbia também com candidato que chega ao segundo turno (Abelardo de la Espriella). Esse conservadorismo é uma forma da direita responder aos próprios problemas do capitalismo com temas que fogem às questões mais pragmáticas, econômicas e políticas. E tem sido um grande sucesso porque conta-se com a utilização de redes sociais, e muitos meios de comunicação acabam participando desse ultra conservadorismo.
O fato de Nayib Bukele continuar sendo um líder tão admirado na América Latina tem relação com a dificuldade de partidos de esquerda mais tradicionais em lidar com temas de Segurança?
Essa é a chave da questão. A esquerda na América Latina tem a tradição de ser pouco operante com políticas públicas satisfatórias na repressão ao crime organizado. O discurso conservador acaba defendendo desde a redução da maioridade penal até penas mais rigorosas aos criminosos, principalmente ligados ao tráfico de drogas, mas também a violências como assaltos, roubos e estupros.
Nesse sentido, o que se fez com Bukele foi algo mais drástico, passando por cima dos direitos individuais, pessoas são presas sem inquérito. Então, muitos políticos na América Latina tentam imitar essa fórmula. Esse tema das prisões arbitrárias deve entrar aqui (no Brasil) na discussão eleitoral deste ano, assim como foi na Colômbia.
É possível traçar semelhanças entre os candidatos da extrema direita pela região, mas podemos apontar diferenças significativas?
As semelhanças são a utilização das redes sociais pra angariar cada vez mais adeptos, muitas vezes utilização de fake news, assim como um discurso anti-sistema, tentando mostrar que as leis vigentes, as constituições, não fazem outra coisa senão favorecer a criminalidade ou a degeneração dos valores morais defendidos por esses grupos conservadores.
Agora, cada país tem o seu próprio contexto. No caso da Bolívia, é uma questão populacional, o país tem maioria indígena e o presidente Paz foi eleito com o discurso de que manteria os direitos fornecidos por Evo Morales à população indígena, mas rompeu com eles, impondo a ideia de privatizar territórios de posse coletiva da Terra, de privatizar a água. São temas que afetam mais a cultura tradicional na Bolívia.
No Brasil, vemos uma obediência quase que cega aos preceitos que vêm dos Estados Unidos e do governo Trump. São posicionamentos conformistas, vimos a questão do Pix no caso do Flávio Bolsonaro.
Semelhanças que vemos entre Chile, Bolívia e Argentina são greves e manifestações diárias contra o governo conservador e suas reformas, mas no Brasil essas manifestações não vêm à tona, existe uma conformação maior ao discurso neoliberal e uma reação mais tímida a este conservadorismo. A gente viu manifestações para redução da escala de trabalho 6X1, mas não são manifestações que chegam aos confrontos generalizados como vemos na Bolívia e no Chile e algo parecido na Argentina.
Em cada eleição na América Latina vemos os partidos mais ao centro perdendo força. Essa é uma tendência mesmo?
É uma tendência a redução da força dos políticos de centro que dominaram a política na região desde o período da redemocratização, com o colapso da União Soviética e o fim das ditaduras. Isso mostra que à medida que a esquerda foi respondendo por meio da democracia, vencendo eleições, e tendo algum sucesso, com redução das desigualdades, a direita respondeu com outro tipo de discurso, já que o discurso de centro se mostrou ineficiente, o crescimento do PIB pelo viés liberal dos partidos de centro foi extremamente tímido e irrisório. A esquerda se reforçou e a direita, por sua vez, teve que recorrer ao discurso ultra nacionalista pra manter os seus interesses.
No Brasil, vimos o PSDB perdendo força, no Chile a Concertación, que era uma aliança de partidos de centro-esquerda e centro-direita que governaram o Chile, até de certa forma com o Boric, com uma manutenção desse princípio.
O discurso de centro-direita perdeu força e o de extrema direita vem ganhando cada vez mais peso e caracterizando esse cenário de polarização na América Latina.
É possível avaliar em que momento os discursos de que existe um comunismo a ser combatido na região ganhou força? Isso parecia ser uma discussão encerrada.
Existe uma visão genérica superficial sobre o que são as esquerdas na América Latina. O (Gabriel) Boric que saiu da presidência do Chile recentemente era de uma esquerda mais ao centro, mais democrática. A Venezuela, obviamente, era um regime de esquerda mais fechado, Cuba mais ainda. O PT não se pode dizer que é um partido radical de esquerda, é um partido de centro-esquerda conformista dentro dos jogos de força e das regras democráticas burguesas. Quando o Lula foi preso, não houve revolução, ninguém pegou em armas, e muito menos antes quando houve o impeachment da (ex-presidente) Dilma (Rousseff).
Essa é uma discussão que vem desde o final do século XIX, início do século XX. A gente tem uma esquerda revolucionária que, na América Latina, praticamente desapareceu. Se a gente observar o princípio do comunismo de acabar com a propriedade privada e o Estado militarizado também não se cumpriu. Os únicos que acreditam que o comunismo vai acabar com a religião, com a família, com a propriedade são movidos muito mais por factóides, fake news, da extrema direita.
A extrema direita é único grupo que acredita no comunismo hoje, mesmo porque a esquerda se remodelou e aprendeu a jogar o jogo democrático. O colapso da União Soviética foi a demonstração máxima de que as esquerdas tinham que se renovar e buscar caminhos alternativos ao capitalismo que não significam o socialismo, o comunismo, mas a tentativa de reduzir os impactos sobre os trabalhadores e a dignidade humana. A esquerda não vai acabar com o capitalismo mesmo porque não há condições materiais, econômicas, para se chegar ao socialismo, isso é muito claro dentro da discussão de esquerdas.
Muito se falou de Boric no Chile. Como avalia o seu governo e as motivações de tamanha desaprovação?
Boric foi eleito dentro da onda das manifestações de 2019 que exigiam uma revolução política. Boric foi eleito já que (Sebastián) Piñera tinha altos índices de desaprovação em meio a uma aprovação gigantesca à realização de uma nova Constituição. Em 2022, a nova Constituição não foi aprovada pela própria população, muito em função de uma onda de fake news e leituras equivocadas sobre de que ela acabaria com a propriedade privada e criaria Estados independentes dentro do próprio Chile em nome das terras indígenas - na verdade era uma plurinacionalidade dentro do Estado nacional.
Tudo isso mostra uma distorção do que era de fato a Constituição proposta pelos chilenos e, dentro dessa frustração, o próprio Boric acabou caindo em descrédito porque fez pouca menção na sua presidência à importância da Constituição. Isso abriu o caminho pra ascensão de Kast, que hoje tem feito reformas muito mais duras em relação aos poucos benefícios sociais que existem no Chile.
Boric não se posicionou com medo de perder aprovação em relação à Constituição e ao mesmo tempo fez um governo tímido, não conseguiu executar a plataforma para a qual foi eleito e fez leis que destoavam inclusive dos seus planos originais, então caiu em discreto, assim como todo o processo de Constituição chileno.
Mesma pergunta te faço com relação ao Petro na Colômbia.
Petro divide opiniões na Colômbia. Ele conseguiu algumas conquistas importantes, entre elas reduzir a jornada de trabalho, embora não tenha sido ainda aprovada pelo Senado. Ele não tinha maioria no Senado nem na Câmara, mas por meio de rede sociais e com pressão popular, conseguiu essa aprovação.
Boa parte dos meios de comunicação colombianos são conservadores, o que prejudica bastante a imagem de Petro. Nessa transição de primeiro para o segundo turno, houve uma disputa acirrada com o candidato de direita (De la Espriella). Contra o Petro pesa o fato de ter sido guerrilheiro, de expor o desejo de transformar a Colômbia num país comunista nas redes sociais, e isso abriu o caminho para ascensão da extrema direita.
Existe uma crise nos partidos de esquerda?
Desde as suas fundações no século XIX na Alemanha, na social democracia alemã, com discussões sobre radicalidade ou participação mais democrática. Tivemos esse debate com a ascensão das esquerdas aqui na América Latina no início desse século já que elas, pelo menos falando de Brasil, dos Kirchner na Argentina, de Evo Morales, por exemplo, não promoveram transformações das mais radicais, fizeram mudanças dentro de um espectro democrático e com muitas limitações, sejam constitucionais ou pela existência de uma oposição que não permitiu a total virada de mesa em relação à defesa dos interesses burgueses capitalistas.
A crise atual se dá muito mais na esfera da comunicação. A direita com as redes sociais, os algoritmos, teve o aprendizado e uso mais eficiente para gerar convencimento, com seu discurso conservador, e as esquerdas ainda estão aprendendo a utilizar esses recursos com a intenção de angariar apoio. Uma ou outra pauta tem sido bem sucedida.
As esquerdas têm buscado alianças entre si pra evitar a ascensão de grupos de extrema direita, inclusive atraindo apoio de alguns políticos de centro, mais liberais - vimos isso no Brasil. Não se trata mais de uma disputa da esquerda em relação à direita de centro, que se dava dentro da esfera democrática, constitucional, agora o que a gente tem é uma direita mais extremada, com discurso anti-sistema e que pretende fazer mudanças operacionais dentro das democracias, até mesmo desvirtuá-las a ponto de não serem mais democracias. Isso acontece nos EUA, que hoje são qualquer coisa menos uma democracia sob o governo Trump.
Dentro dessa onda trumpista, a disputa que as esquerdas travam não é exatamente contra uma centro-direita em nome de projetos diversos que podem opor leituras neoliberais e de estado de bem-estar social. Agora, a crise gira em torno da defesa da democracia e aí surge a crise de quais alianças são feitas, se valem ou não valem a pena.
Como avalia a atual eleição no Peru?
O primeiro turno mostrou uma situação extremamente indefinida e múltiplos candidatos, mais de 30, além de uma Câmara com 100 deputados de diversos partidos, o que impede a formação de maioria. O Peru foi aprendendo a ter um modelo econômico neoliberal apesar dos presidentes, praticamente todos caíram. Existe um grande descrédito em relação à eleição presidencial, o que é demonstrado pelo excessivo número de candidatos eleitos e pelo excessivo número de partidos que compõem o Congresso.
Por fim, como vê a atual investida americana contra Cuba? Como Havana pode negociar no atual cenário?
Nas atuais condições, Cuba têm pouquíssima força política para brecar as ações de Trump, mas tem uma forte força simbólica já que é um país herdeiro da revolução derivada da Revolução Soviética de 1917. Simbolicamente, é interessante para a China manter esse marco simbólico, tentar demonstrar algum apoio ou mesmo demonstração de força, enviando um porta-aviões ou força militar a Cuba. Assim como para a Rússia, que contribui enviando combustíveis e outros produtos.
Em linhas gerais, essa ameaça de Trump a Cuba é uma demonstração do que tem sido seu segundo mandato, um governo de tons imperialistas com funções coloniais, que vê a América Latina como verdadeiro quintal. Tomar Cuba simbolicamente também é muito importante para os EUA, para mostrar que, do ponto de vista da geopolítica internacional com Trump, começa uma nova era antiglobalista. Ao mesmo tempo em que deixam de fazer o jogo diplomático de alianças e acordos para evitar conflitos armados, os EUA mostram - como ficou claro com Venezuela e Irã - que seu objetivo é impor pela força os seus planos econômicos e políticos.
Outro exemplo vem da quantidade de conservadores que são colocados em embaixadas. A política, principalmente do vice-presidente dos EUA (J.D. Vance), é uma política intervencionista, não somente econômica - o que já é tradicional na América Latina -, mas agora com um resgate da truculência norte-americana do período da Guerra Fria de intervenções diretas nos países não alinhados aos seus interesses.
Um recorte analítico sobre a situação na Colômbia
O segundo turno presidencial colombiano, que ocorre dia 21, será extremamente disputado e tem levantado preocupações quanto a possíveis conflitos diante da alta polarização. O candidato da extrema direita, Abelardo de la Espriella, saiu na frente, e disputará com o governista Iván Cepeda.
“Se olharmos a estrutura de pêndulo na América Latina, não surpreende que a Colômbia chegue a um governo de extrema direita, como se apresenta De la Espriella”, afirma Silvana Amaya, analista colombiana. “Mas existe a grande possibilidade de que os dois candidatos aumentem sua base eleitoral, muitos votos de Paloma (Valencia) podem ir a Abelardo e os votos de (Sérgio) Fajardo estão divididos. Devem aumentar também os votos em branco”.
Enquanto a campanha de Abelardo de la Espriella corre para ampliar os eleitores da direita dispostos a radicalizar o voto, a campanha de Iván Cepeda - o candidato governista - corre para atrair eleitores de centro ou que não saíram para votar no primeiro turno. Enquanto isso, o governo Trump olha de perto e com interesse as próximas semanas.
“É uma eleição que os EUA olham de perto, em um país que sempre foi considerado seu aliado, mas que teve um importante afastamento nos últimos quatro anos. Não é geograficamente tão estratégico quanto México ou países do Caribe e da América Central, mas a Colômbia era tida como um aliado confiável”, afirma Amaya.
Um olhar sobre o que vem no Peru
Na última semana antes do segundo turno, que ocorre neste domingo, o candidato herdeiro de Pedro Castilho, Roberto Sánchez, mudou radicalmente seu plano de governo em um aceno ao eleitor de centro. O modelo anterior, que previa a convocação de uma Constituinte e até a construção de uma alternativa ao capitalismo, deu lugar a um novo documento de 114 páginas com ajustes, a manutenção de uma política macroeconômica e o respeito ao Banco Central. Sánchez também se comprometeu a respeitar a propriedade privada.
O candidato chegou ao segundo turno coligado com Keiko Fujimori, que tenta a presidência pela quarta vez. Seu partido obteve a grande maioria no Congresso nesta eleição, o que reforça temores do tamanho de seu poder em caso de vitória neste domingo.
Segundo as últimas pesquisas, os dois candidatos estão empatados dentro da margem de erro. Uma pesquisa Ipsos, por exemplo, informou em um intervalo de 3 dias uma oscilação entre o primeiro e segundo lugar.
Os resultados e análises, você acompanha na Carta ao longo deste domingo e dessa semana.
Bolívia vive mais de cinco semanas de protestos e fica à beira de estado de exceção
A Bolívia vive uma escalada da crise política e social após mais de 35 dias consecutivos de protestos e bloqueios de estradas. Diante do agravamento dos confrontos, do desabastecimento e da alta dos preços dos alimentos, o Congresso aprovou uma lei que cria a base legal para a decretação de estado de exceção. Agora, o governo do presidente Rodrigo Paz precisa publicar um decreto e obter a ratificação da Assembleia Legislativa em até 72 horas.
A medida ocorre após o fracasso das negociações entre o governo e os manifestantes e em meio ao temor de que uma eventual intervenção das Forças Armadas provoque novos episódios de violência.
A crise também aprofundou a polarização política. Setores da oposição defendem uma resposta mais dura do governo, enquanto o ex-presidente Evo Morales tenta capitalizar o descontentamento social, apesar de críticas de antigos aliados. Analistas apontam que parte das reivindicações surgiu entre grupos que apoiaram Paz nas eleições de 2025, mas hoje acusam o presidente de descumprir promessas e afastar-se de sua base popular.
Eleição na Armênia se torna decisão sobre apoio russo ou ocidental
Nas últimas semanas antes das eleições parlamentares na Armênia, a Rússia intensificou a pressão econômica e política enquanto o país se aproxima da União Europeia e dos Estados Unidos. O Kremlin adotou medidas semelhantes às utilizadas anteriormente contra outros países da antiga esfera soviética, como Moldávia e Ucrânia, incluindo restrições comerciais e ameaças relacionadas ao fornecimento de energia.
O principal alvo da pressão russa é o primeiro-ministro armênio, Nikol Pashinyan. Nas últimas semanas, Moscou proibiu a importação de frutas, verduras, flores, água mineral e bebidas alcoólicas provenientes da Armênia, incluindo o reconhecido conhaque. O governo armênio interpretou a decisão como retaliação política.
Além do bloqueio comercial, o ministro da Energia da Rússia enviou uma carta às autoridades armênias ameaçando revisar os acordos de fornecimento de gás, combustíveis e diamantes caso Erevan avance no processo de integração europeia. Atualmente, a Armênia recebe gás russo a preços subsidiados, muito abaixo dos valores praticados no mercado europeu.
Pashinyan afirma que a atual eleição é justamente uma escolha entre permanecer vinculada à União Econômica Eurasiática liderada por Moscou ou aprofundar a aproximação com a União Europeia.
A dependência armênia da Rússia permanece significativa em setores estratégicos. A estatal russa Gazprom controla toda a rede de distribuição de gás do país, enquanto a empresa ferroviária russa RZD administra a malha ferroviária armênia desde 2008. A usina nuclear de Metsamor, única da Armênia, também opera sob gestão da estatal russa Rosatom.
O distanciamento entre Erevan e Moscou se aprofundou após a guerra entre Armênia e Azerbaijão em 2020 e a tomada da região de Nagorno-Karabakh pelo Azerbaijão em 2023, que acabou com a expulsão de mais de 100 mil armênios - na ocasião a Armênia se sentiu abandonada pelos russos. Nos últimos meses, a Armênia recebeu apoio diplomático de líderes europeus, do Canadá e da administração de Donald Trump.
Ataques no Líbano continuam apesar de cessar-fogo
Um ataque israelense no sul do Líbano em meio ao que seria um novo cessar-fogo matou no sábado três militares libaneses, incluindo um general de brigada, aumentando as tensões na região. Dias antes, os EUA afirmaram ter mediado uma renovação da trégua entre Israel e o Hezbollah, enquanto as negociações com o Irã seguem paralisadas - Teerã afirma que não tem como negociar enquanto seus aliados no Oriente Médio continuam sendo atacados.
O oficial morto no sábado é o militar de mais alta patente do Líbano a perder a vida desde o início da atual escalada do conflito, em março. Em comunicado, as Forças Armadas libanesas acusaram Israel de realizar ataques “deliberados e repetidos” contra o país. O Exército israelense confirmou a operação, alegando que um veículo se aproximava de forma “suspeita” de tropas israelenses posicionadas no sul do território libanês.
O presidente do Líbano, Joseph Aoun, classificou o bombardeio como uma “violação flagrante” do direito internacional. Pesquisadores apontam que ataques contra militares do Estado libanês contradizem a justificativa israelense de que sua campanha militar tem como alvo exclusivamente o Hezbollah.
Na semana que passou, a Guatemala foi mais um país a fechar um acordo de Defesa com os EUA, com a intenção de reforçar o cerco a grupos narcotraficantes. Assim, diversos países latino-americanos passam a permitir a atuação de militares norte-americanos em seu território.
O tema é complexo, envolve muito da submissão às vontades do governo Trump - como abordamos nesta edição - e da dificuldade de se combater o crime organizado na região. Com certeza continuaremos explorando esse tema por aqui.






