Por Fernanda Simas
Manifestações cada vez maiores tomam o coração da Europa e desafiam governos diante do aumento do custo de vida, agravado pela alta do preço da energia. A insatisfação econômica geral se soma a protestos estudantis e contra a situação de moradia em países como Espanha, França, Itália e Portugal e passa a ser usada como arma política.
A pressão sobre o custo de vida em países da Europa está diretamente relacionada às consequências das guerras na Ucrânia e no Irã, que provocaram dois grandes choques energéticos em menos de cinco anos. A invasão russa da Ucrânia, em 2022, comprometeu o abastecimento de gás natural russo, do qual o continente era fortemente dependente.
Antes da guerra, a Rússia respondia por aproximadamente 45% das importações de gás da União Europeia. Com a redução dos fornecimentos, os países europeus precisaram buscar alternativas, principalmente gás natural liquefeito (GNL) transportado por navios, além de acelerar investimentos em energias renováveis. Em outubro de 2026, a participação russa nas importações de gás havia caído para cerca de 12%, segundo a Comissão Europeia.
Em 2026, a guerra deflagrada por Estados Unidos e Israel contra o Irã levou a uma nova escalada dos preços, principalmente devido às restrições à circulação de petróleo e gás pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas energéticas do mundo. Mas agora, a Europa está sujeita às interrupções no transporte marítimo. Segundo dados apresentados pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em outubro, o preço do gás subiu 140% desde o fim de fevereiro, enquanto o diesel dobrou de preço.
O impacto chega ao orçamento das famílias por meio das contas de energia e combustíveis, mas também pressiona os custos de produção e transporte das empresas, alimentando a preocupação com a inflação.
A crise do custo de vida se somou às dificuldades de acesso à moradia e aos serviços públicos e se tornou o estopim que tem levado milhares de pessoas às ruas em diferentes países europeus. Embora as reivindicações variem, as manifestações refletem, também, a insatisfação crescente com as respostas dos governos.
Na França, protestos iniciados por estudantes contra a falta de professores e a precariedade das escolas ganharam força com a adesão de setores da sociedade pressionados pela alta dos combustíveis e pelo ajuste fiscal. Na Itália, estudantes e trabalhadores também se mobilizam por melhores salários, investimentos em educação e saúde e medidas contra a precarização do emprego, enquanto o governo de Giorgia Meloni responde aos episódios de violência com o endurecimento das medidas de segurança.
Na Espanha e em Portugal, a crise habitacional ocupa o centro das manifestações. O despejo da espanhola Maricarmen Abascal, de 87 anos, em Madri desencadeou uma mobilização nacional que aprofundou a crise política do governo de Pedro Sánchez. No país vizinho, os portugueses passaram a ocupar praças e organizar acampamentos para denunciar os preços elevados dos imóveis e aluguéis.
Antes de destrinchar as particularidades de cada país, vale destacar que essas manifestações já estão sendo exploradas eleitoralmente. Em razão da crise, o governo espanhol apresentou medidas para restringir a especulação imobiliária – que foram rejeitadas pelo Congresso – e acabou antecipando as eleições legislativas para o dia 29 de novembro. A França terá eleições presidenciais em abril do ano que vem e a Itália também terá eleições legislativas em 2027, à princípio em outubro.
Usos políticos
Na França, o governo de Emmanuel Macron acusa o partido da extrema esquerda França Insubmissa, liderado por Jean-Luc Mélenchon, de incentivar a radicalização das manifestações, enquanto a extrema direita de Marine Le Pen explora os episódios de violência para reforçar seu discurso de defesa da ordem pública.
Na Itália, Giorgia Meloni adotou uma estratégia semelhante ao concentrar sua resposta no endurecimento das medidas de segurança, especialmente contra adolescentes envolvidos nos confrontos, e destacar a origem estrangeira de parte dos detidos. Nos dois países, a violência registrada durante os protestos abriu espaço para que o debate político se deslocasse das reivindicações sobre educação, salários e custo de vida para temas como segurança, imigração e responsabilidade dos movimentos de oposição.
Em Portugal, o governo de centro-direita atribui a escalada dos preços dos imóveis à falta de investimentos e de respostas estruturais dos governos anteriores do Partido Socialista, enquanto movimentos sociais e partidos de oposição cobram medidas imediatas para enfrentar a crise. O Executivo também passou a questionar a legitimidade das assembleias populares organizadas pelos manifestantes. Embora os contextos sejam diferentes, os protestos mostram como a insatisfação com as condições de vida passou a influenciar a agenda política europeia, colocando em disputa tanto as respostas econômicas dos governos quanto os limites da atuação do Estado diante das mobilizações sociais.

Para entender um pouco os objetivos, a cronologia e impactos dos protestos, acho válido detalhar o ocorrido até agora em cada país:
França: da crise na educação à revolta contra o custo de vida
Há cerca de um mês, estudantes franceses começaram a sair às ruas para denunciar as condições das escolas públicas, como a falta de professores e as longas jornadas escolares marcadas por períodos sem aulas. As manifestações ganharam força e passaram a reunir sindicatos, agricultores, professores, aposentados e outros setores da população insatisfeitos com o aumento do custo de vida. No sábado (17), a mobilização atingiu seu maior tamanho desde o início dos protestos, com mais de 800 mil manifestantes em cerca de 110 marchas pela França.
Embora a França destine cerca de 5,2% do Produto Interno Bruto (PIB) à educação, acima da média de 4,9% da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), há críticas à distribuição e à eficiência desses recursos. Estudantes do ensino secundário têm entre 26 e 29 horas obrigatórias de aula por semana, sem contar disciplinas optativas, mas podem permanecer nas escolas das 8h às 18h, com longos intervalos entre as atividades e aulas canceladas pela ausência de professores.
A insatisfação com a educação encontrou terreno fértil numa França já pressionada pela alta dos preços da energia e pelas dificuldades fiscais. Segundo dados econômicos, a energia responde por mais da metade da inflação francesa, que supera 3%, acima da meta de 2% adotada pelo Banco Central Europeu para a zona do euro. Ao mesmo tempo, o governo tenta aprovar um orçamento para 2027 que prevê um ajuste fiscal de aproximadamente 54 bilhões de euros, com o objetivo de reduzir o déficit público para 5% do PIB, proposta que enfrenta resistência enquanto a população cobra mais investimento em serviços públicos e medidas para aliviar o orçamento das famílias.
A dimensão dos protestos e os episódios de violência do sábado trouxeram à memória o movimento dos coletes amarelos, iniciado em 2018 contra o aumento dos combustíveis e que acabou incorporando reivindicações mais amplas sobre desigualdade e poder de compra. Naquela ocasião, Macron conseguiu reduzir parte da pressão por meio de concessões fiscais e ampliação dos gastos públicos. Desta vez, porém, a margem de manobra do governo é menor, diante de um déficit estimado em 5,4% do PIB. A retomada de símbolos e palavras de ordem dos coletes amarelos reforça a continuidade de um descontentamento social que atravessa diferentes setores da sociedade francesa.
No sábado, em Marselha, manifestantes invadiram a prefeitura e derrubaram um busto de Marianne, símbolo da República francesa. Em Limoges, a prefeitura foi incendiada; em Lille, o edifício municipal sofreu danos; e em Lyon, um posto de atendimento turístico foi destruído pelo fogo. Na capital Paris, mais de 100 mil pessoas participaram de atos majoritariamente pacíficos, embora grupos tenham entrado em confronto com a polícia. O saldo foi de mais de 2 mil detidos. Grandes cidades adotaram toques de recolher, e o governo prometeu atender a algumas reivindicações dos manifestantes, mas responsabilizar os envolvidos nos episódios de violência.
Itália: Protestos contra a precarização do trabalho levam governo Meloni a endurecer medidas de segurança
Na Itália, os protestos ganharam força com a mobilização de estudantes e trabalhadores contra o alto custo de vida, a precarização do trabalho e a insuficiência dos investimentos em serviços públicos. Na sexta-feira (16), mais de 400 mil estudantes participaram do chamado No Meloni Day, realizado em dezenas de cidades. Os jovens denunciaram as condições das escolas, criticaram os investimentos na indústria bélica e manifestaram solidariedade aos estudantes franceses.
Um dia depois, manifestações contra o custo de vida e os preços dos combustíveis reuniram diferentes setores da sociedade em Milão, Turim e Bolonha, enquanto a Confederação Geral Italiana do Trabalho (CGIL) organizou um ato em Roma, com reivindicações por melhores salários, aposentadorias, acesso à moradia e ampliação dos investimentos em saúde e educação. A CGIL convocou uma greve geral para 20 de novembro, data prevista para uma manifestação estudantil europeia.
Os protestos foram acompanhados por episódios de violência, especialmente em Milão, onde grupos de jovens encapuzados entraram em confronto com policiais, depredaram estabelecimentos comerciais e provocaram danos no centro da cidade. A resposta do governo de Giorgia Meloni foi o endurecimento das medidas de segurança, com a aprovação de um decreto que amplia a possibilidade de retenção preventiva de adolescentes, cria novos crimes relacionados à participação em manifestações violentas e modifica as regras de responsabilização penal de menores entre 14 e 18 anos. O Executivo também anunciou o envio de 500 militares adicionais a Milão, mas sem os poderes de polícia inicialmente pretendidos.
A primeira-ministra defendeu as medidas afirmando que o direito de protestar não inclui a destruição das cidades. Meloni usou o episódio para atacar a migração e destacou a origem estrangeira de parte dos detidos.
Espanha: crise habitacional provoca onda de protestos e antecipa eleições
Na Espanha, a crise habitacional ganhou uma dimensão política enorme após o despejo de Maricarmen Abascal, que foi retirada em uma cadeira de rodas no dia 23 de setembro do imóvel onde havia vivido praticamente toda a vida. Encaminhada ao Hospital Gregorio Marañón, ela morreu no dia 7, um dia antes da data prevista para assinar um novo contrato de aluguel que permitiria seu retorno à residência.
O caso provocou manifestações de indignação em diferentes regiões do país e impulsionou um acampamento de manifestantes na Puerta del Sol, no centro da capital espanhola, transformando-se em símbolo da dificuldade de acesso e permanência na moradia. A pressão popular levou o governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez a apresentar dois decretos destinados a enfrentar a crise habitacional.
As propostas incluíam restrições à atuação de fundos de investimento imobiliário, conhecidos como fundos abutres até dezembro de 2028, medidas de proteção contra despejos, ampliação dos direitos dos inquilinos e incentivos para facilitar o acesso à casa própria. A restrição prevista atingiria operações realizadas gratuitamente ou por valores inferiores a 70% do preço de mercado, com o objetivo de combater práticas especulativas. O texto também previa a suspensão, até dezembro de 2030, dos despejos de pessoas em situação de vulnerabilidade econômica, sem alternativa habitacional, quando a retomada do imóvel fosse solicitada por entidades especializadas na compra de propriedades ou carteiras de hipotecas inadimplentes com grandes descontos. A proteção poderia alcançar inclusive processos com sentença ou ordem de despejo já expedida, desde que a retirada dos moradores ainda não tivesse ocorrido.
No entanto, os dois decretos foram rejeitados pelo Congresso, com votos contrários do Partido Popular (PP), do Vox e do Junts. A derrota parlamentar aprofundou a crise política e levou Sánchez a anunciar a antecipação das eleições gerais para 29 de novembro de 2026.
O pacote também pretendia modificar o mercado de locação, restringindo o uso de contratos temporários e de aluguel por quartos como mecanismos para contornar as garantias legais dos inquilinos. Os contratos de temporada passariam a exigir uma justificativa comprovável de residência provisória e, como regra geral, teriam duração máxima de 12 meses. No aluguel por quartos, a soma dos valores cobrados não poderia ultrapassar o preço de locação do imóvel inteiro. Outra proposta estabelecia a renovação automática e por prazo indeterminado dos contratos residenciais, após o período mínimo obrigatório de cinco anos para proprietários individuais e sete anos para empresas. Caso o proprietário encerrasse a relação sem justificativa legal, teria de indenizar o inquilino com o equivalente a pelo menos 12 meses de aluguel.
Para reduzir as dificuldades financeiras das famílias, o governo também propôs incentivos fiscais e mecanismos de financiamento habitacional. Inquilinos com renda anual inferior a 33.007 euros poderiam deduzir do imposto de renda 10% dos gastos com o aluguel da residência habitual. Já o programa TU CASA, administrado pelo Instituto de Crédito Oficial (ICO), ofereceria empréstimos sem juros ou comissões para financiar até 20% do valor do primeiro imóvel, limitados a 50 mil euros por beneficiário e com prazo máximo de 30 anos. O pacote contemplava, ainda, incentivos à construção de moradias populares, incluindo a aplicação de uma alíquota reduzida de 4% do IVA sobre habitações protegidas com classificação permanente ou por prazo indeterminado.
A rejeição das propostas não encerrou a mobilização social. O Sindicato de Inquilinas convocou uma greve geral para 11 de novembro, posteriormente apoiada pelas duas principais centrais sindicais espanholas, a União Geral dos Trabalhadores (UGT) e as Comissões Operárias (CC OO). As manifestações refletem a crescente insatisfação com um mercado imobiliário no qual o acesso à moradia se tornou um dos principais desafios econômicos, especialmente para jovens e famílias de menor renda.
Portugal: Crise habitacional leva manifestantes a acampar nas ruas e amplia pressão sobre o governo
Em Portugal, a crise habitacional desencadeou uma onda de protestos que começou no Porto no dia 10 e se espalhou para Lisboa e outras cidades do país. As mobilizações, organizadas por movimentos cívicos e difundidas pelas redes sociais, reúnem centenas ou milhares de pessoas em manifestações e acampamentos para denunciar a escassez de moradias e os preços elevados dos imóveis e aluguéis.
As reivindicações também incluem medidas para controlar os preços dos bens essenciais e dos combustíveis, além da criação de impostos sobre os lucros extraordinários das grandes empresas do setor bancário. Os atos começaram poucos dias depois da aprovação parlamentar de uma nova lei do arrendamento, ainda em discussão.
Os acampamentos se tornaram um dos principais símbolos da mobilização. Em Lisboa, manifestantes ocuparam a Praça D. Pedro IV, conhecida como Rossio, onde instalaram tendas e organizaram assembleias populares para decidir os próximos passos do movimento. Na terça-feira (20), a Polícia de Segurança Pública (PSP) retirou dezenas de tendas e deteve 55 pessoas. Durante a madrugada, dezenas de pessoas voltaram à praça com sacos de dormir, esteiras e equipamentos de camping. Entre as canções entoadas estava Grândola, Vila Morena, símbolo da Revolução dos Cravos de 1974, que pôs fim à ditadura portuguesa.
No Porto, os confrontos com as forças de segurança também marcaram os protestos. Os relatos de violência policial e as detenções em Lisboa ampliaram as críticas à atuação das autoridades, enquanto os movimentos prometem manter as manifestações, mostrando que a mobilização passou a envolver também disputas sobre o direito de protesto e a ocupação dos espaços públicos.
A pressão das ruas chegou ao Parlamento português, que realizou, nesta quarta-feira (21), um debate de urgência sobre a habitação. O ministro dos Assuntos Parlamentares, Carlos Abreu Amorim, afirmou que o governo compreende a angústia dos cidadãos que veem seus projetos de vida ameaçados pela escassez de moradias e pelo preço dos imóveis.
O governo, formado por PSD e CDS-PP, diz estar trabalhando em uma resposta à crise habitacional com base no aumento da oferta de imóveis, na mobilização de patrimônio já existente e em programas de apoio à população. A oposição, por sua vez, questionou a postura do Executivo diante das manifestações.
Enquanto os manifestantes reivindicam respostas imediatas para os preços dos aluguéis e a dificuldade de acesso à moradia, o governo aposta em medidas de médio e longo prazo para ampliar a oferta de imóveis.

Ebola avança pela África e mobiliza autoridades diante de risco de expansão
A Nigéria confirmou seu primeiro caso de ebola em mais de uma década, aumentando a preocupação com a disseminação do vírus pelo continente africano. A paciente, uma mulher estrangeira residente em Abuja, havia viajado ao leste da República Democrática do Congo (RDC), epicentro do atual surto, antes de chegar à capital nigeriana no início de outubro. Ela está isolada e recebendo tratamento, enquanto as autoridades monitoram pelo menos 44 pessoas que tiveram contato próximo com a paciente. O caso ocorre em meio à segunda maior epidemia de ebola já registrada, com 9.552 infecções confirmadas e 4.602 mortes relacionadas à doença na RDC.
O vírus já ultrapassou as fronteiras congolesas. No Quênia, um caso importado confirmado no início de outubro resultou na morte de um homem de 40 anos, e outros nove casos relacionados foram identificados. Uganda também registrou 20 infecções e duas mortes entre maio e junho, embora tenha sido declarada livre da doença em agosto. Diante do avanço, os Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças (Africa CDC) convocaram uma reunião de ministros da Saúde para o dia 28.
Declarado oficialmente em maio, o surto na RDC é considerado o de crescimento mais rápido já registrado. A epidemia é provocada pela variante Bundibugyo, para a qual ainda não existe vacina disponível. O controle da doença é especialmente difícil no leste congolês, marcado por conflitos armados, deslocamentos populacionais e serviços de saúde precários. A circulação do vírus por meses antes de sua identificação e as dificuldades para acompanhar os contatos de pessoas infectadas agravaram a situação.
Milei volta à Espanha em plena campanha eleitoral e reforça alianças com a direita
O presidente argentino, Javier Milei, realiza nesta semana sua sétima viagem à Espanha desde que foi eleito, a terceira apenas em 2026, em meio à campanha para as eleições gerais espanholas de 29 de novembro. Mais uma vez, a agenda do argentino não prevê encontros com o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez. Em vez disso, Milei participa de eventos econômicos e acadêmicos e se reúne com representantes da direita espanhola, incluindo a presidente da Comunidade de Madri, Isabel Díaz Ayuso, e integrantes da Fundação Disenso, ligada ao partido de extrema direita Vox.
A visita ocorre em um momento de desgaste do governo Sánchez, com pesquisas apontando uma possível vitória do conservador Partido Popular. Milei tem feito da chamada “batalha cultural” contra a esquerda uma das marcas de sua política externa, estabelecendo alianças com lideranças conservadoras internacionais.
Embora a Casa Rosada apresente as viagens como parte de uma estratégia para atrair investimentos e ampliar a presença internacional da Argentina, a frequência dos deslocamentos provoca críticas da oposição, que questiona seus custos e resultados diplomáticos. A Espanha é o segundo país mais visitado por Milei, atrás apenas dos Estados Unidos, onde esteve 20 vezes desde que assumiu a presidência. A preferência por encontros com aliados ideológicos, em detrimento de reuniões com representantes dos governos locais, reforça o caráter político de uma agenda internacional marcada pela aproximação com a extrema direita.

Meta é pressionada pela ONU e por conselho independente por falhas durante eleições no Brasil
A Meta, empresa responsável por Facebook, Instagram e WhatsApp, enfrenta questionamentos sobre a neutralidade de suas plataformas no segundo turno das eleições presidenciais brasileiras. O Comitê de Supervisão da companhia, órgão independente responsável por avaliar suas decisões de moderação, identificou “falhas recorrentes” na aplicação das regras de integridade eleitoral.
Nesta quarta-feira (21), nove especialistas independentes ligados ao Conselho de Direitos Humanos da ONU cobraram uma investigação sobre possíveis restrições desproporcionais a conteúdos de uma das candidaturas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do senador Flávio Bolsonaro.
Entre os episódios questionados estão restrições ao impulsionamento de publicações da campanha de Lula, diferenças no alcance e no engajamento de conteúdos e relatos de que a inteligência artificial do WhatsApp se recusava a gerar imagens relacionadas ao petista, enquanto atendia a pedidos semelhantes envolvendo Flávio Bolsonaro. O caso chegou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que exigiu explicações da Meta sobre os mecanismos utilizados para garantir tratamento igualitário aos candidatos. A empresa negou qualquer favorecimento e afirmou que as duas campanhas são submetidas às mesmas regras, sem discriminação.
O Comitê de Supervisão avaliou que a aplicação excessivamente rigorosa das políticas antifraude às contas de anúncios de Lula deveria ter sido encaminhada a uma equipe especializada. O órgão também alertou que falhas de moderação podem tanto restringir indevidamente o discurso político quanto permitir a circulação de conteúdos que comprometam a integridade das eleições. A preocupação não se limita ao Brasil: o conselho citou a remoção de contas de ativistas políticos nos Estados Unidos às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato de novembro e cobrou da Meta indicadores públicos mais claros para avaliar a eficácia de suas políticas.
Os especialistas da ONU, por sua vez, advertiram que algoritmos, sistemas de inteligência artificial e decisões de moderação não podem se tornar “árbitros invisíveis” do debate político. Para eles, restrições desproporcionais ao alcance de determinadas contas podem comprometer a liberdade de expressão, o acesso à informação e a igualdade de condições na disputa eleitoral. O episódio amplia o debate sobre o poder das grandes plataformas digitais na organização do espaço público e sua responsabilidade na proteção dos processos democráticos.
O segundo turno das eleições no País ocorrem neste domingo (25) e é preciso ter muito claro o papel da Meta no processo eleitoral e exigir que tudo seja apurado.



