Milei tenta deslocar debate político e adota tom de campanha eleitoral
Presidente argentino sofre com baixa aprovação e usa cartilha Trump para tratar de temas migratórios e relação com líderes internacionais
Por Fernanda Simas
Com a popularidade em queda e eleições presidenciais no horizonte, o argentino Javier Milei tenta deslocar o debate da economia para a identidade nacional e a disputa ideológica regional. Ao transformar conflitos diplomáticos, imigração e a reação às críticas durante a Copa do Mundo em instrumentos de mobilização política, o presidente da ultradireita, que se considera um libertário, traça um caminho para se posicionar como liderança na América Latina.
Na semana passada, o governo Milei endureceu as regras migratórias por decreto, autorizando a proibição de entrada e a expulsão de estrangeiros acusados de ofender a Argentina. Dias antes, ampliou o discurso contra governos vizinhos e elevou o tom dos ataques ao presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, durante o lançamento da campanha de Flávio Bolsonaro à presidência do Brasil.
Sobre o primeiro ponto, a Casa Rosada justificou o decreto dizendo que o país tem sido alvo de uma “campanha anti-Argentina” alimentada, segundo Milei, por governos como os de Brasil e México, além de alas do Partido Democrata norte-americano.
“Me parece uma medida oportunista, com tom de lançamento de campanha”, afirma o analista político argentino Gustavo Marangoni. “Houve uma série de movimentos orientados a acelerar a campanha eleitoral. Seja com a visita e declarações feitas no Brasil, seja com o giro pela América Latina para se mostrar como líder das direitas e seja com esse decreto”.
Muito provavelmente o decreto será impugnado constitucionalmente por modificar a lei de migrações e, como lembrado por Marangoni, pela subjetividade em se quantificar o que é uma ofensa à identidade ou à cultura nacional argentina. A intenção de Milei é endurecer a política migratória. Recentemente, o governo argentino havia restringido direitos de migrantes, alterado normas sobre refúgio e defendido a cobrança de serviços públicos para estrangeiros.
Aproximar o tema da migração de temas como Segurança Pública e criminalidade é mais uma forma de aproximação entre a Casa Rosada e a Casa Branca. Dias antes, o presidente Milei fazia viagens pela América do Sul e, durante a parada pelo Brasil, no lançamento da campanha eleitoral de Flávio Bolsonaro proferiu ofensas ao presidente Lula – a quem chamou de “ladrão”, “presidiário” e “socialista” – e ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, que já havia sido alvo de críticas e ações jurídicas por parte do governo de Donald Trump.
As declarações provocaram uma das mais graves crises diplomáticas entre Brasília e Buenos Aires desde o início do atual governo brasileiro. Mais do que um conflito bilateral, porém, os episódios parecem integrar um projeto político de alcance regional.
Em diferentes ocasiões, Milei manifestou admiração por Trump e passou a alinhar sua política externa aos interesses da Casa Branca, inclusive em temas que envolvem Brasil, China e organismos multilaterais. Assim, Brasil e México tornam-se adversários naturais na narrativa construída pelo governo argentino por representarem os principais governos de centro-esquerda da América Latina, e defenderem modelos distintos de inserção internacional e de integração regional.
Referência ideológica
Analistas argentinos dizem que Milei tenta consolidar um eixo conservador alinhado a Trump e a outras lideranças da direita latino-americana, posicionando-se como um dos principais representantes desse campo político no continente, num momento em que a região vê uma forte onda azul tomar conta das eleições.
“Por trás desse episódio há uma questão de geoestratégia. Sobre a postura do presidente, é parte de seu cartão de visitas ao público porque uns passam a falar dele em tom de brincadeira, outros em tom sério, mas todos estão falando dele”, explica Marangoni.
A ofensiva ocorre em um momento delicado para o governo. Após quase três anos de mandato, Milei enfrenta um cenário de maior desgaste. Pesquisas recentes colocam a aprovação do argentino em cerca de 35%, embora ele tenha conseguido reduzir significativamente a inflação em relação aos níveis herdados no início do governo. Os efeitos do ajuste fiscal sobre a renda, o poder de compra, emprego e atividade econômica ajudam a justificar os números.
Nesse contexto, temas capazes de mobilizar a base política do libertário passam a ganhar protagonismo na agenda presidencial. “Internamente, (essas ações) não surpreenderam, pelo contrário, confirmam um estilo que os opositores dizem não corresponder com as relações entre Brasil e Argentina. Mas, para os que apoiam Milei, seu núcleo duro, é o estilo que o levou à presidência”, explica Marangoni. “No plano doméstico, ele se mostra como alguém duro com líderes políticos tradicionais, mas internacionalmente tenta se consolidar como referência das novas direitas”.
É justamente nesse ambiente que a polêmica em torno da Copa do Mundo assume relevância política e passa a ser explorada pelo presidente argentino. Durante o torneio, parte da seleção argentina e da torcida foram alvo de críticas internacionais relacionadas a episódios racistas e xenófobos. Em vez de responder diretamente às acusações ou estimular um debate interno sobre o tema, Milei transformou a controvérsia em uma narrativa de ataque externo ao país.
Resta saber se essa estratégia produzirá efeitos eleitorais duradouros. Se, por um lado, o discurso de enfrentamento mobiliza a parcela mais fiel de seus apoiadores, por outro amplia o isolamento diplomático da Argentina, provoca atritos com parceiros comerciais estratégicos e desloca o debate das dificuldades econômicas para conflitos identitários e políticos. “É preciso esperar até o ano que vem para entender se essa estratégia não vai provocar um cansaço na população, principalmente nas alas que não sentem a vida melhorando economicamente”, conclui Marangoni.
Cavalos de aço: de Massachusetts para o Sul Global
Por: Jenny Carolina González
Milhares de bicicletas usadas de Massachusetts fizeram uma longa viagem pelo mar. Enfrentaram o oceano por dias e noites para ganhar as ruas de países distantes, onde ter um “cavalo de aço” é um privilégio e, em alguns lugares, a única oportunidade de locomoção.
Há 40 anos, a organização não governamental Bikes Not Bombs, sediada em Boston, torna essas viagens possíveis, dentro de sua missão de promover o uso da bicicleta como ferramenta de transformação social, mobilidade econômica e geração de oportunidades para comunidades vulneráveis.
Tudo começou em 1984, quando Carl Kurz e Michael Replogle iniciaram um projeto de solidariedade com a Nicarágua. Kurz passava havia anos pensando no que fazer com as centenas de bicicletas que via descartadas semanalmente nas ruas de Boston, enquanto Replogle era um ativista contrário à guerra na América Central.
“Os Estados Unidos estavam bombardeando e enviando soldados para a Nicarágua. Então, esses mecânicos de bicicletas quiseram fazer um protesto, enviar algo além de bombas. Queriam enviar bicicletas, algo positivo, algo que fosse bom para as pessoas. Assim nasceu a Bikes Not Bombs: uma manifestação em favor das bicicletas e contra a guerra”, explicou Sam Archer, gerente da oficina e do centro de treinamento.
Desde então, 84 mil bicicletas doadas em Massachusetts cruzaram o oceano para beneficiar comunidades marginalizadas em 15 países, como Guatemala, El Salvador, Porto Rico, Panamá, a ilha de Névis, no Caribe, além de Quênia e Ruanda, na África.
Em uma sexta-feira de junho, na entrada de um galpão localizado no bairro de Dorchester, um contêiner de 40 pés espera vazio. No interior do espaço, café quente, pizzas, 475 bicicletas para crianças e adultos e mais de mil peças de reposição aguardam os 60 voluntários que se reuniram para acomodar as bicicletas que serão enviadas para Ruanda.
“Temos que tentar melhorar as coisas, e as bicicletas são o caminho. Essa é a minha forma de resistência”, disse Nathan Arino, aposentado de 73 anos, que veio de Newton para ajudar a carregar o contêiner.
Sara Parra, coordenadora de Programas Globais da Bikes Not Bombs, afirmou que o objetivo vai muito além da entrega de bicicletas. A proposta é estabelecer parcerias com organizações locais que incentivem seu uso, contribuindo para melhorar a qualidade de vida das comunidades beneficiadas por meio de um transporte acessível para todos.
A Bikes Not Bombs também busca abrir um programa na ilha de Vieques, em Porto Rico. “A mobilidade dentro da ilha é muito difícil. Ela foi estruturada para carros, não há transporte público e não existem oficinas de bicicletas”, afirmou Parra, explicando que a bicicletaria mais próxima fica a 45 minutos de balsa, além de uma hora de carro.
Por isso, ao longo do último ano, a organização realizou quatro mutirões gratuitos de conserto de bicicletas, com fornecimento de peças de reposição em Vieques. A ideia é consolidar, no futuro, um processo em que uma organização local seja responsável por receber as bicicletas doadas e desenvolver uma iniciativa de mobilidade econômica e formação de lideranças por meio desse transporte.
Ela relembrou a história de um menino que passou vários anos pedalando uma bicicleta sem parte do pedal. Ele andava sempre em pé porque nunca encontraram uma peça de reposição do tamanho adequado. “Os consertos às vezes são muito pequenos em comparação com o que fazemos em Boston, mas para eles representam um grande passo”, destacou Parra.
A Bikes Not Bombs também mantém uma loja e oficina de bicicletas no bairro de Jamaica Plain, onde vende bicicletas novas, mas também usadas, a preços acessíveis. Além disso, desenvolve um programa chamado Escola de Bicicletas, que já beneficiou 4.500 jovens e adultos jovens de comunidades vulneráveis, oferecendo formação gratuita em mecânica de bicicletas e desenvolvimento de liderança. O programa também é realizado em parceria com o Departamento de Serviços para a Juventude, onde adolescentes aprendem a consertar bicicletas e podem ficar com elas.
Além disso, todas as noites de quarta-feira, a organização recebe voluntários interessados em ajudar a preparar as bicicletas doadas, independentemente de terem ou não experiência com mecânica. Basta acessar o site da Bikes Not Bombs para se inscrever. “É um ambiente divertido, onde todos colaboramos para que alguém, em um país distante ou até mesmo aqui em Boston, realize o sonho de ter uma bicicleta”, concluiu Parra.
Keiko Fujimori assume a presidência do Peru e promete combate ao crime organizado
Keiko Fujimori tomou posse há uma semana como presidente do Peru, tornando-se a primeira mulher eleita pelo voto popular para comandar o país. Filha do ex-presidente e ditador Alberto Fujimori, ela encerra uma trajetória de três candidaturas presidenciais derrotadas e retorna o fujimorismo ao poder 26 anos depois. Em seu discurso de posse, afirmou que governará por um país “seguro, próspero e unido” e prometeu administrar “para todos os peruanos”, apesar do cenário de forte polarização política que marca o início de seu mandato.
A nova presidente anunciou que uma das prioridades será o combate ao crime organizado e à crescente insegurança. Para isso, informou que as Forças Armadas atuarão em apoio à polícia durante estados de emergência, especialmente no enfrentamento das redes de extorsão. Fujimori também afirmou que seu governo dará prioridade à preparação para um novo episódio do fenômeno El Niño, com foco em ações preventivas, e defendeu uma gestão baseada em planejamento de longo prazo para recuperar um Estado que classificou como “à deriva” após anos de instabilidade política.
A posse ocorreu diante de uma ampla presença de autoridades estrangeiras, entre elas o rei Felipe VI, da Espanha, representantes dos Estados Unidos, China e Japão, além dos presidentes da Argentina, Equador, Paraguai, Uruguai e Panamá. Ao mesmo tempo, manifestações de movimentos de direitos humanos, estudantes e familiares de vítimas da ditadura de Alberto Fujimori ocorreram nas ruas de Lima. Os protestos rejeitam o retorno do fujimorismo ao poder e refletem a divisão política que deverá marcar o novo governo, que ainda precisará definir o restante do gabinete e enfrentar desafios como a segurança pública, a recuperação econômica e os efeitos de desastres naturais.
Guerra no Oriente Médio se amplia após ataques dos EUA ao Irã e incidente com drone no Egito
O conflito no Oriente Médio ganhou uma nova dimensão após os Estados Unidos lançarem uma ampla ofensiva contra alvos militares iranianos, em resposta ao ataque com mísseis balísticos realizado por Teerã contra bases americanas na Jordânia. Segundo o Comando Central dos EUA (Centcom), a operação atingiu dezenas de instalações da Guarda Revolucionária Islâmica, incluindo centros de comando, bases de mísseis e drones e estruturas de defesa costeira, com o objetivo de reduzir as capacidades militares do Irã e de seus aliados na região. Em seguida, a Jordânia informou ter interceptado cinco mísseis disparados contra seu território, enquanto explosões também foram registradas no sul do Irã.
A escalada ocorre em um momento de crescente envolvimento de novos atores regionais. Nos últimos dias, Estados Unidos e Arábia Saudita realizaram ataques conjuntos contra milícias pró-Irã no Iraque, deixando ao menos 20 mortos, enquanto os rebeldes houthis, do Iêmen, anunciaram um bloqueio naval contra a Arábia Saudita e intensificaram ataques contra embarcações na região. O cenário reduz ainda mais as perspectivas de uma solução diplomática e aumenta o risco de que o confronto evolua para uma guerra regional de maiores proporções.
Nesse contexto, o Egito confirmou que o incêndio registrado em dois navios de gás natural liquefeito atracados no porto mediterrâneo de Damieta foi provocado por um drone, tornando-se o primeiro ataque direto ao território egípcio desde o início da guerra. Embora nenhuma organização tenha assumido a autoria, o governo egípcio abriu investigação e afirmou que adotará medidas para proteger sua segurança nacional. Os houthis negaram qualquer envolvimento. O episódio ocorreu próximo ao Canal de Suez, uma das principais rotas do comércio marítimo mundial e estratégica para o transporte de petróleo do Oriente Médio.
Sem vítimas, o ataque elevou a preocupação com uma possível expansão do conflito para novas áreas da região. Além de ameaçar a segurança da navegação no Canal de Suez, o incidente ocorre em um momento delicado para o mercado de gás egípcio, já que o país passou, nos últimos anos, de exportador a importador relevante de gás natural liquefeito. Analistas avaliam que, caso a instabilidade alcance rotas comerciais estratégicas, os impactos poderão se estender aos mercados globais de energia e ampliar ainda mais as tensões entre os principais atores envolvidos na guerra.
Hamas aceita desarmamento condicionado ao fim da ofensiva israelense em Gaza
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que a Junta de Paz para Gaza chegou a um acordo para o desarmamento gradual do Hamas e de outras facções armadas palestinas. Pelo plano, o arsenal seria entregue ao Comitê Nacional, formado por tecnocratas palestinos que deverão assumir a administração civil da Faixa de Gaza no lugar do Hamas, que controla o território desde 2007. Trump classificou o entendimento como um “marco histórico” em seu plano para encerrar o conflito e afirmou que o processo permitirá a criação de um novo governo palestino, ao mesmo tempo em que reforçará a segurança de Israel.
O Hamas, no entanto, afirmou que o desarmamento só ocorrerá se Israel cumprir uma série de condições. Entre elas estão o cessar-fogo total, a retirada das tropas israelenses da Faixa de Gaza, a abertura das passagens para a entrada de ajuda humanitária e materiais de reconstrução, o fim das milícias apoiadas por Israel, o envio de uma força internacional de proteção e garantias para a criação de um Estado palestino. O grupo advertiu que não entregará as armas caso Israel descumpra qualquer uma dessas exigências.
O acordo prevê que os preparativos para o desarmamento comecem em até duas semanas, sob supervisão de um comitê internacional, incluindo o armazenamento de armas pesadas, túneis e instalações militares. Paralelamente, uma força multinacional deverá atuar ao lado de uma nova polícia palestina para garantir a segurança da Faixa. Apesar do anúncio, o governo de Benjamin Netanyahu ainda não endossou oficialmente o plano e continua defendendo a desmilitarização completa de Gaza antes de retirar suas tropas. Horas após o anúncio do acordo, bombardeios israelenses voltaram a atingir o território, evidenciando a fragilidade das negociações e as dificuldades para transformar o entendimento em um cessar-fogo efetivo.
Como entender a crise migratória em Ceuta
A maior crise migratória da história recente de Ceuta deixou mais de 60 mil pessoas cruzarem a fronteira entre Marrocos e o enclave espanhol em menos de 24 horas, número equivalente a mais da metade da população da cidade. A maioria dos migrantes, sobretudo jovens marroquinos, chegou após dias de circulação de mensagens falsas nas redes sociais que prometiam acesso facilitado à Espanha, regularização migratória e transferência para a Península.
Muitos atravessaram o espigão fronteiriço a nado ou caminhando, enquanto outros viajaram de diferentes regiões de Marrocos até a cidade vizinha de Fnideq (Castillejos) na expectativa de iniciar uma nova vida na Europa. Sem estrutura para recebê-los, Ceuta rapidamente entrou em colapso humanitário, enquanto milhares acabaram retornando decepcionados ao território marroquino. Ao menos 72 migrantes morreram na travessia.
A explosão do fluxo ocorreu após semanas de aumento gradual das travessias e poucos dias depois de uma decisão do Supremo Tribunal da Espanha limitar as chamadas “devoluções a quente” de migrantes que entram pelo mar, o que, segundo o governo espanhol, foi explorado por redes de tráfico de pessoas para incentivar as travessias. Madri reconheceu que foi surpreendida pela dimensão da crise, concentrando até então seus esforços no combate aos grandes incêndios florestais que atingiam o país.
O primeiro-ministro Pedro Sánchez classificou a situação como uma violação da integridade territorial espanhola, mas evitou responsabilizar diretamente Rabat, mantendo o discurso de cooperação com o governo marroquino e anunciando medidas como a instalação de barreiras marítimas e possíveis mudanças na legislação migratória. O governo marroquino falou sobre o assunto publicamente no domingo e afirmou que a migração passiva se deu pela disseminação de informações falsas.
A crise também reacendeu comparações com o episódio de 2021, quando cerca de 10 mil pessoas cruzaram a mesma fronteira após uma crise diplomática entre Espanha e Marrocos motivada pelo tratamento médico oferecido ao líder da Frente Polisário. Desta vez, Sánchez afirma que o diálogo com Rabat permanece aberto e nega um rompimento bilateral, embora setores da política espanhola e integrantes da coalizão governista suspeitem que a flexibilização do controle marroquino tenha servido como instrumento de pressão política.
O episódio rapidamente ganhou repercussão internacional. Nos Estados Unidos, Donald Trump transformou as imagens da chegada em massa de migrantes em argumento de campanha para as eleições legislativas de novembro, afirmando que a situação seria um exemplo do que ocorreria em seu país sob um governo democrata. Integrantes da Casa Branca criticaram a política migratória espanhola, enquanto autoridades israelenses também aproveitaram a crise para atacar o governo de Pedro Sánchez em meio às tensões diplomáticas provocadas pelas críticas espanholas à ofensiva de Israel em Gaza. Enquanto isso, Ceuta segue enfrentando os desafios humanitários da maior onda migratória de sua história recente, com milhares de pessoas já repatriadas para Marrocos e dezenas de mortes registradas durante as travessias.






