Terremoto na Colômbia se torna primeiro teste para De la Espriella
Número de mortos em termos de 7,4 graus passa de 100; Cali, onde presidente foi empossado, foi uma das cidades mais afetadas
Por Fernanda Simas
Um terremoto de magnitude 7,4 atingiu o oeste da Colômbia na manhã dessa segunda-feira (10), deixando pelo menos 132 mortos e centenas de feridos. O epicentro foi localizado próximo a San José del Palmar, no Departamento (Estado) de Chocó, e o tremor foi sentido em grande parte do país e em áreas do Equador e do Panamá. Em cerca de quatro minutos, ocorreram desabamentos e danos em hospitais e em ao menos 1.575 residências; as operações em aeroportos de cidades como Cali, Pereira, Manizales, Quibdó, Armenia, Cartago e Buenaventura foram canceladas.
“Existem estruturas destruídas, há muitos mortos, amigos desaparecidos. É tudo muito tenso”, conta Carlos Duque, um publicitário de 54 anos que mora em Manizales (veja um vídeo da região abaixo). “Tenho conhecidos e amigos que viviam nos prédios que colapsaram. A situação é muito complexa.”
A cidade foi uma das mais afetadas e diversas imagens e vídeos que circulam na internet mostram a destruição no local. Depois que conseguiu sair de sua casa, no bairro La Estrella, Duque viu esse cenário por muitas ruas. “Vi mais de 7 prédios colapsados, foi o que percebi porque estava tudo muito caótico”.
Pereira concentra a maior parte dos mortos na tragédia e Cali, a terceira maior cidade da Colômbia, registrou destruição significativa. O presidente Abelardo de la Espriella – empossado na sexta-feira (7) – informou inicialmente 61 edifícios completamente colapsados e mais de 1.500 moradias afetadas. Em Cali, porém, o quadro apresentado pelo próprio governo durante a noite mostra uma dimensão ainda maior: 35 mortos, 700 feridos, 188 desaparecidos, três hospitais colapsados e mais de 5 mil residências afetadas.
Impacto político
A tragédia transforma uma promessa central de seu discurso político em uma questão imediata de gestão. O novo presidente havia colocado como uma de suas prioridades descentralizar o poder e as decisões político-econômicas, foi por essa razão que escolheu a cidade de Cali para sua cerimônia de posse.
Ao longo do fim de semana, De la Espriella havia percorrido o Eixo Cafeeiro e partes de Antioquia defendendo um governo voltado às regiões. Agora, as cidades que estavam no centro de sua promessa tornam-se o primeiro grande teste de sua capacidade de governar fora da capital. A resposta ao terremoto dependerá, também, da capacidade do novo governo de coordenar o poder local com uma estrutura nacional ainda em transição.
De la Espriella interrompeu a agenda política e assumiu pessoalmente a coordenação da resposta à emergência. O governo instalou postos de comando em diferentes cidades e convocou o Comitê Nacional para o Manejo de Desastres. Em Cali, anunciou o reforço da segurança depois de relatos de saques, com a mobilização de mais 1 mil policiais.
O Serviço Geológico Colombiano registrou 47 réplicas do terremoto e adverte que é provável que outras ocorram.
Nesta terça-feira, o governo deve nomear um novo diretor da Unidade Nacional para a Gestão do Risco de Desastres (UNGRD), responsável por articular a resposta nacional às catástrofes. O organismo permanece sob direção que o novo governo pretende substituir, enquanto órgãos técnicos fundamentais para a resposta a desastres, como o Serviço Geológico Colombiano, ainda contam com funcionários nomeados pela gestão de Gustavo Petro.
O agora líder da oposição cobrou uma resposta rápida e articulada do sucessor e afirmou que, em uma emergência nacional, não pode haver territórios esquecidos nem cidadãos de segunda categoria. O ex-candidato governista à presidência, Iván Cepeda, pediu unidade e solidariedade com as vítimas da tragédia, além de difundir medidas pelas quais o Pacto Histórico ajudará nos trabalhos de resgate.
Os Estados Unidos anunciaram US$ 15,5 milhões em ajuda emergencial à Colômbia, destinada a abrigo, alimentos, proteção e avaliação dos danos. A União Europeia ativou os serviços de assistência consular e seu serviço de satélites Copernicus para ajudar nos trabalhos de resgate.
A ONU informou, no início desta terça-feira, que ainda não havia recebido um pedido de ajuda por parte da Colômbia, mas se colocou à disposição e informou que suas equipes no país estavam mobilizadas e em contato com autoridades regionais.
Segundo De la Espriella, a prioridade é operacional: encontrar sobreviventes, atender os feridos e reconstruir a infraestrutura destruída.


